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o mundo quieto

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Apontamentos #16

A guerra infelizmente começou. E já foram tantos os dias em que se falou do seu início que até parece não causar espanto. Já se esperava, será o que muitos dirão. Por mim, enquanto houver possibilidade de diálogo, nunca se espera uma guerra; mas a forma como todas as fontes de informação esmiuçaram esta possibilidade, acabou por normalizar o impacto do seu início. É deste poder a que me refiro neste texto. Vamos ter a possibilidade única na História de acompanharmos todo o seu desenrolar, avanços, recuos, ameaças, diálogos, mortes, comunicados, pressões, e, desejamos rapidamente, o seu desfecho. Mas até lá vamos estar expostos, como nunca estivemos, a demasiada informação. Este texto é apenas sobre isto: o excesso de informação leva-nos a uma profusão de pequenas ‘guerras’ interiores que não poderemos viver diariamente. Não se trata de enfiar a cabeça na areia e fingir que nada está a acontecer. Está a acontecer e bem perto de nós. Devemos estar informados e ter o conhecimento exato do que irá suceder-se a partir daqui, mas apenas o conhecimento exato. Nem mais, nem menos. Que não se caia na tentação de viver ao minuto este acontecimento horrendo, só porque temos meios para isso, até porque grande parte da informação será redundante (e muito dela, pouco factual, manipulada, inexata). Penso que se resumirmos a nossa atenção aos telejornais diários será suficiente. Infelizmente, se algo aterrador acontecer, sabê-lo-emos na mesma. Mais do que isso, é alimentar uma segunda guerra na nossa mente, porque parece ser hoje obrigatório saber de tudo no minuto seguinte. Só estaremos a alimentar fantasmas, acicatar receios, empolar desconfortos. Se queremos dobrar a intensidade com que vivemos este tempo, que o façamos de outro modo: a trabalhar com brio e felizes por ainda o podermos fazer; a amar cada vez mais os nossos, porque ainda o poderemos fazer; a continuar os nossos hobbies, porque ainda o poderemos fazer; a sorrir, a conversar, a aprender, a partilhar e, acima de tudo, viver com enorme gratidão pelo privilégio de ainda podermos continuar a fazer todas estas coisas. Não multipliquemos a força desta guerra dentro de nós.

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