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o mundo quieto

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Apontamentos #15

"Sem contacto corporal não se criam vínculos". É o alerta deixado por Byung-Chul Han, no seu mais recente livro Não-Coisas. Ultrapassou-se a ideia do ter para consumir. O consumismo, nestes tempos acelerados, parece ser já ideia ultrapassada. Porque mais do que ter coisas ou simplesmente possuí-las, será vivê-las, experienciá-las. Deixamos, portanto, que a nossa realização pessoal dependa da excitação que se ganha ao viver com tal coisa e não apenas por possuí-la. Não queremos usar um relógio de marca para nos sentirmos superiores. Queremos usá-lo porque ele nos promete uma experiência, um estado de espírito, uma aventura sensorial. É algo que ultrapassa o objeto em si mesmo. A luta desenfreada passará por tudo aquilo que as não-coisas nos prometem. Voltamos ao assunto de sempre? Claro que voltamos. Lá ao longe acenam-se quatro dias de trabalho por semana, um ordenado garantido, para que estejamos finalmente libertos para experienciar tudo o que a AI irá ainda inventar. A nossa escolha, que julgaremos resultado da nossa mais íntima decisão (a falência do livre-arbítrio), estará sempre condicionada com o que nos será dado a selecionar. Debater-nos-emos? Não. Porque o algoritmo conhecerá tanto de nós que será capaz de prever acertadamente, quando ainda nos julgamos indecisos a olhar para as hipóteses. Vi algures um cartoon com duas amigas a conversar, onde uma delas dizia: "O homem estava ali sentado na esplanada, sozinho, a olhar para as pessoas que passavam, para a rua e para as árvores, meio a sorrir, imóvel,  e não fazia nada, nada, apenas estava ali sozinho sentado, nem sequer pegava no telemóvel. Parecia um psicopata!"  Muito dizia esta vinheta, porque hoje se estranha quem simplesmente está, e quem foge do seu mundo fechado que se reflete no ecrã do seu smartphone, é já considerado um exótico, malicioso, excêntrico enfim, perigoso. Byung-Chul Han chega a chamar-nos de Phono Sapiens. Enquanto espero que o treino de ténis do meu filho termine, dedico-me à pintura de doodles. Se é para me olharem com suspeita, que o façam com o alarde todo.

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