Apontamentos #3
Existe uma postura no yôga que me é muito importante. O ásana da árvore é das coisas mais simples de fazer e traz consigo um profundo ensinamento; a noção do nosso próprio equilíbrio. De pés descalços, porque é fundamental a ligação da pele com o solo, e unidos, para melhor sentirmos as ligeiras oscilaçoes do nosso peso corporal. O tronco totalmente erecto com os braços caídos. As mãos unidas a cada uma das pernas. Visualmente, tentamos que o nosso corpo imite o tronco de uma árvore. Interiormente, e aqui começa a beleza de tudo isto, descobrem-se inúmeras forças inesperadas que nos obrigam a procurar o equilíbrio para nos mantermos erectos. Quando confortáveis, e de respiração já tranquila, podemos ainda fechar os olhos e aumentar a sensação de ser necessário não perdermos a concentração e, por conseguinte, o equilíbrio.
Pensemos nesta simples prática como um aquecimento para as contrariedades do dia. Não é possível que nos permitamos andar ao sabor dos ventos inesperados que preenchem o nosso quotidiano. Mais do que controlar o corpo, é alertar a mente e treiná-la para que nunca se perca a nossa rectidão de tronco de árvore. É claro que falo mais do que um simples exercício de yôga; é claro que ser árvore é uma metáfora e apenas um enquadramento do que pretendo que seja pensado.