#52

Our roots still waiting
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Our roots still waiting

A espada de Judite foi uma lágrima de âmbar
a escorrer-lhe pelo pescoço. Já antes o mesmo
perfume se libertara do lenço deslaçado, para furtiva
entre os abissínios, chegar ao seu leito afogueada.
Porquê as taças de vinho sempre cheias? Os gestos
na falta de melhores palavras? Que metal brilhava
despontando das cortinas sanguíneas de Caravaggio?
- Que saia a velha! - ordenara finalmente ébrio.
Tanto cansaço a torná-lo cativo, as mãos num
último esforço ao peito túmido, à ferrugem do cabelo,
enfim o beijo violado que o adormeceria de vez.
Assim Judite separou-lhe a cabeça do marmóreo corpo
e tudo se fez frio e silêncio, transtorno e drama.
Viveu-se a madrugada com o tojo crepitando sob os pés.
Tudo o que estala e quebra
antes balouça e se distende.
Uma última dança.
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