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o mundo quieto

o mundo quieto

#5

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A espada de Judite foi uma lágrima de âmbar

a escorrer-lhe pelo pescoço. Já antes o mesmo

perfume se libertara do lenço deslaçado, para furtiva

entre os abissínios, chegar ao seu leito afogueada.

Porquê as taças de vinho sempre cheias? Os gestos

na falta de melhores palavras? Que metal brilhava 

despontando das cortinas sanguíneas de Caravaggio?

- Que saia a velha! - ordenara finalmente ébrio.

Tanto cansaço a torná-lo cativo, as mãos num

último esforço ao peito túmido, à ferrugem do cabelo,

enfim o beijo violado que o adormeceria de vez.

Assim Judite separou-lhe a cabeça do marmóreo corpo

e tudo se fez frio e silêncio, transtorno e drama.

Viveu-se a madrugada com o tojo crepitando sob os pés.

 

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